sexta-feira, 4 de maio de 2012

O fim do mundo 2


O ser humano tem a mania tenebrosa de prever o fim do mundo. Talvez resida aí certo complexo de inferioridade ao não conseguir conceber a infinitude do tempo diante da brevidade da nossa existência. Sem contar que as profecias sobre o fim são ambíguas, já que elas sempre trazem consigo a ideia de que o fim não é o fim, sempre haverá uma recompensa ao sofrimento após a destruição do mundo. Ou seja, a relação do homem com o fim do mundo é sadomasoquista: tem que haver sofrimento para se chegar ao prazer. Quando se fala do fim do mundo, logo nos lembramos do Apocalipse, o capítulo mais tenebroso da Bíblia. Mas esse delírio começa bem antes.
Há mais de três mil anos, os hindus já criavam profecias pra o fim do mundo. Para eles, a cada quatro bilhões de anos, que equivale a um dia para o deus Brahma, o mundo se acaba. Isso por que ao final de cada dia (nossos quatro bilhões de anos) Brahma fecha os olhos para dormir. Desconfio que Brahma esteja sofrendo de insônia crônica. Cerca de 2.500 anos atrás, um sujeito chamado Zoroastro criou, na Pérsia (atual Irã) uma religião monoteísta que pregava que, num futuro indeterminado, Ahura Mazda (deus) enviaria à Terra seu último profeta, Shoasyanti. Quando isso acontecesse, o mundo seria coberto por um mar de lava e metal que todos teriam que atravessar descalços. Os puros nada sentiriam, naturalmente. Já os ímpios... Coitadas das solas dos meus pés.  
Depois deles os cristãos, os muçulmanos, os incas e todos os povos criaram suas profecias para a destruição do mundo. Sem falar os lunáticos de menor porte, como o pastor americano Harold Camping, líder do grupo cristão “Family Radio”, que previu o fim do mundo para as 20 horas do dia 21 de maio do ano passado. Claro que a sua profecia não se realizou. Não totalmente: logo depois ele teve um AVC e quase morreu. Pelo menos para ele, o mundo quase acabou. Esperemos 2012...

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