segunda-feira, 17 de março de 2014

Cinema nacional: Mataram meu irmão

A morte de Rafael Burlan da Silva é o ponto de partida do comentário Mataram meu irmão (2013), do diretor e irmão de Rafael, Cristiano Burlan. Na realidade, a intensão de Cristiano não é apenas falar do irmão, morto com sete tiros, no Capão Redondo, na periferia de São Paulo em 2001, aos 21 anos, mas falar da violência que ceifa a vida de jovens que se envolvem com crimes nas periferias das grandes cidades. 
Antes de qualquer coisa, é preciso muita coragem para fazer um filme como esse, em primeira pessoa, expondo as entranhas da sua própria família. No filme, descobre-se que um irmão de Cristiano, Tiago, cumpre pena em Cuiabá, e outro já esteve preso. O pai alcoólatra morreu numa queda quando estava bêbado. A mão casou novamente e foi assassinada pelo marido (Cristiano pretende fazer um documentário sobre o assassino da sua mãe). Em suma, Cristiano torna públicos aqueles problemas que as famílias têm, mas não faz de conta que não tem e quer esconder de todo mundo.
Quando falamos de violência na periferia imaginamos pessoas pobres e de pouca instrução. Não é o que vemos nos depoimentos de Mataram meu irmão. Tia, irmã, viúva e filhos de Rafael são pessoas de classe média, simpáticas e de boa instrução, mas mesmo assim atingidos pela violência e pela droga. O grande mérito do filme é não incorrer naquele erro de sempre falar bem do morto. Ressaltam-se as virtudes de Rafael, mas ninguém esconde o fato dele estar envolvido com drogas e roubos de automóveis. O filme bom de assistir...


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