quarta-feira, 25 de setembro de 2013

Manifesto do nada na terra do nunca – Lobão

Quando li a repercussão do livro Manifesto do nada na terra do nunca, de Lobão, imaginei que o livro era uma bomba, afinal, o autor é conhecido por ser uma metralhadora verborrágica. Mas fui traído pela minha própria expectativa. Não que o livro seja ruim, mas eu esperava mais “bombas” levando em conta a indignação de “alvos” de Lobão, como Mano Brown, do Racionais MC’s. É certo que lobão não perdeu sua veia polêmica, mas o que ele fala é do conhecimento público, apenas a imprensa e o mundo artístico evitam falar em nome do famigerado “politicamente correto”.
No primeiro capítulo, intitulado A terra do nunca, Lobão critica a o mundo artístico, entre eles Gonzaguinha (“Uma das figuras mais insuportáveis da nossa MPB”) por suas músicas politicamente engajadas e seus “sambões maníaco-depressivos”; Racionais MC’s, a quem chama de “ridícula caricatura” da doutrina petista, com seus “clichês anacrônicos”, um “idiota útil”; Roberto Carlos, “que era genial e virou uma múmia deprimida”; e Gilberto Gil e Paula Lavigne, o “rei” e a “rainha” da Lei Rouanet, por pedirem muito dinheiro para Ministério da Cultura para seus projetos. Lobão fala que a MPB era elitista e não popular, os artistas verdadeiramente populares nunca fizeram parte do movimento. Sou obrigado a concordar com ele...
No terceiro capítulo, Vamos assassinar a presidenta da República?, Lobão faz críticas à nossa governante por sua participação na guerrilha armada durante a ditadura militar, no que eu discordo, já que vivíamos uma guerra civil e os dois lados brigavam para ocupar o mesmo espaço. Mas concordo plenamente com ele quando crítica a chamada Comissão da Verdade que quer investigar os crimes cometidos pelos militares, mas se recusa a investigar os crimes cometidos pelo outro lado, o lado em que estava a atual presidente.
Há capítulos, como Um pequeno mergulho no mundo sertanejo universitário (acidentalmente gonzo), O reacionário e Viagem ao coração do Brasil, que poderiam ser utilizados em uma extensão da sua biografia. Mas são muito engraçados, como Um pequeno mergulho..., em que ele conta como a cobertura de um evento sertanejo se tornou o fim da linha para a sua participação no programa A Liga, da Rede Bandeirantes.
No capítulo Por que o rock continua errando?, Lobão fala sobre o curioso caso do Festival Lollapaloosa, quando se recusou a tocar por que colocaram seu show às duas da tarde. Se sentindo diminuído, gravou um vídeo e postou no youtube convocando todos a boicotarem o festival. Não deu certo. Nesse caso, concordo com a organização do festival. O Lobão dos anos 80 era digno de tocar em horário “nobre” de qualquer festival, depois que começou a fazer músicas “intelectualóides”, nem tocando às dez da manhã.
Hoje, prefiro o Lobão escritor: polêmico, com seus argumentos bem fundamentados e sua acidez insuperável. Um livro imperdível para quem quer conhecer o pensamento de quem conhece bem os bastidores do universo artístico brasileiro e fala o que pensa. 


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