domingo, 16 de outubro de 2016

Jack Kerouac: king of the beats – Barry Miles

“No período inicial da contracultura (...), Jack foi visto pelos hippies, quando chegaram a se interessar por ele, como um reacionário de direita alcoólatra, anti-hippie, anticomunista, defensor da Guerra do Vietnã...”.
Quem ler a obra de Jack Kerouac, praticamente toda ela de caráter autobiográfico, fica encantado pela sua mística libertadora. Um sujeito que só sabia viver na estrada, descobrindo o mundo, bebendo, se drogando, se relacionando com as mulheres que queria e com os homens que desejava. E colocando, cuidadosamente, tudo o que via no papel, escrevendo obras que ficaram para a posteridade e deram origem a um dos movimentos mais originais até hoje (e que influenciou outros movimentos de contracultura que vieram depois), o movimento Beat.
“Não há meios de saber se Memere (sua mãe) abusou dele em função das suas próprias necessidades sexuais quando ele era pequeno, mas ela lhe propôs sexo muitos anos depois, quando ele estava na casa dos 30 anos”.
O que emerge das páginas de Jack Kerouac: king of the beats, do escritor britânico Barry Miler, publicado pela primeira vez em 1998, não nem nada dessa aura mítica que nós estamos acostumados a associar a figura de Jack Kerouac. O que vemos é um alcoólatra, machista, antissemita, oportunista e insensível que não hesitava em procurar os amigos quando estava em dificuldades e esquecê-los por completo quando tinha dinheiro. Chama a atenção dois aspectos da sexualidade de kerouac: a paixão pela mãe (e dela por ele), o que atrapalhava os seus relacionamentos com as mulheres; e a sua insistência em negar aspectos da sua sexualidade, principalmente a sua tração por homens.
“Kerouac pode ter sido um grande escritor, mas quanto a valores humanos, como compaixão, ternura e preocupação com os outros, revelou-se um fracasso retumbante”.
O livro aborda desde o nascimento de kerouac, em Lowell, no estado de Massachusetts, até a sua morte prematura, causada pelo excessivo consumo de álcool e drogas. O capítulo seis é especialmente dedicado a esmiuçar o contexto em que On The Road, sua obra-prima, foi escrita. Curiosamente, o livro só foi publicado dez anos depois dos eventos narrados, com muitas edições e mudanças, o que confundia muitos leitores, que achavam que os fatos narrados eram da época da publicação. O grande mérito do livro é que permite ao leitor conhecer não apenas o biografado, mas todos aqueles que, com ele, fundaram o movimento Beat.

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