Comparado às músicas com refrões
repetitivos de onomatopeias que estão surgindo, Michel Teló, com seu “Sábado,
na balada, a galera começou a dançar”, virou poeta. São ruídos bucais que só
querem dizer alguém coisa se acompanhados de gestos ou movimentos dos quadris.
E Neymar parece ser o padrinho preferido dos sucessos onomatopaicos. Primeiro
foi o “Eu quero tchu, eu quero tchá”, da dupla João Lucas e Marcelo, que o
craque usou a coreografia para comemorar seus gols. Agora é o “Ai, ai! Ai, ai, ai, ai! Assim você mata o papai”, do grupo Sorriso maroto. Ou
foi o contrário, não sei, são sons tão parecidos.
Mas antes já existiam, mesmo
sem apadrinhamento famoso, o “tcherere tchê tchê” e o “lê lê lê”. O que isso quer dizer, só vendo o
gesto que acompanha o ruído bucal. Mas o uso de onomatopeias ou ruídos bucais
não é algo recente. Carmem Miranda já usava na década de 40 na música “Chica
Chica bom chic”. O título em si já uma onomatopeia. O venerado João Gilberto
também usou, nos anos 50, na musica “Bim bom”, que tem uma letra ridícula (que
heresia!): "Bim bom bim/ Bim bom bom/É só isso o meu baião/ e não tem mais
nada não”. Tem mesmo não, João!
Jorge Bem Jor também usou na lindíssima “Taj Mahal”: “Tê tê, têtêretê Tê
tê, têtêretê...”. eu não vou nem falar em “Ilariê” da Xuxa ou no “Xibom bom” do
Grupo as meninas, de 1999. Vou pular para o venerável, aquele que é
unanimidade, Chico Buarque. Ano passado ele usou esses ruídos bucais na música
“Se eu soubesse”: “Mas acontece que eu sorri pra ti/ e ai, larari, lairiri,
pom, pom, pom”. Veja que o mau gosto na hora de compor não é uma exclusividade
de sertanejos universitários. Os bambambãs (com perdão do trocadilho) também
têm.
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