sexta-feira, 8 de fevereiro de 2013
quarta-feira, 6 de fevereiro de 2013
No teu deserto – Miguel Sousa Tavares
Quando se trata de Miguel Sousa
Tavares sempre esperamos algo mais. Principalmente quem já leu Equador (2003) e Rio das flores (2007). Dessa forma, No teu deserto, de 2009, deixa uma pontinha de decepção. O livro,
nem de longe, pode ser comparado aos outros dois. A obra é o relato romanceado
de uma das treze viagens que o autor fez ao deserto do Saara nos anos 80, ao
lado de uma mulher bem mais jovem, mas que marcou profundamente a vida do
protagonista, alter ego do autor. Poderíamos dizer que o livro é um “quase
romance” ou um “quase relato de viagem”.
Com descrições precisas da
paisagem árida e do silêncio do deserto, dos entraves burocráticos nos países
africanos e das dificuldades dos motoristas em dirigir nas estradas arenosas, o
protagonista presta um verdadeiro tributo ao Saara. A dúvida que fica é se essa
era a verdadeira intenção dele ou se ele queria, na realidade, usar a viagem
como pretexto para prestar uma homenagem a sua companheira de aventuras,
Cláudia, que ele conhecera no dia anterior da viagem, mas deixou-o
impressionado.
O relato mostra a evolução da
relação deles na solidão do deserto. A princípio apenas o desejo de conhecer o
deserto os unia, mas o tempo e os obstáculos transpostos, fazem com que um se
adapte ao outro apesar das diferenças entre ambos. A história está tão centrada
no casal que quase não se percebe que ele viaja junto com uma caravana de jipes
e uma centena de pessoas. Essa história, que se pode se chamar de amor, tem
algo em comum com outros livros de Sousa Tavares (apesar de ser muito diferente
em outros aspectos): o final é inesperado.
segunda-feira, 4 de fevereiro de 2013
A paz que me atormenta
Tem gente que leva uma vida
agitada e daria um dedo de uma mão por um pouco de paz e sossego. Eu tenho-os
de sobra e gostaria de ter levado uma vida agitada, nem que fosse agora,
beirando a velhice. A paz e o sossego sempre foram o meu tormento! Sempre tive
a impressão de que a minha única missão era gastar os minutos que me restavam. A
minha vida sempre foi de uma mesmice assustadora, de uma normalidade
desalentadora, a começar pelo parto que foi normalíssimo. Nada de sobressaltos,
emergências, correrias. Minha mão sentiu as dores, foi para o hospital e eu
nasci. O caminho escandalosamente aberto, era só não dobrar nem à direita nem à
esquerda.
- Siga em frente! – berrava o meu
instinto naturalíssimo de feto prestes a virar um ser humano normal numa vida
normal.
Fui criado num ambiente de
afeição e segurança. Tudo dentro da normalidade num espaço dominado por um
filho único. Afeição só pra mim. Segurança só pra mim. Atenção só pra mim. Tudo
só pra mim. Que saco! Talvez tenha sido isso que me transformou no bunda mole
que sou hoje e sempre fui por toda a minha vida. Como minha família tinha uma
situação remediada, durante a infância sempre comprava as minhas amizades.
- Vamos brincar? – propunha aos amiguinhos.
- O que você tem para nós? – era
a pergunta que escutava invariavelmente independente a quem dirigia o convite.
E eu sempre tinha: balinhas,
brinquedos mais incrementados e até mesmo dinheiro. Para mim não tinha
importância, o que eu queria era amigos, mesmo que comprados. Na escola era a mesma coisa: bombons,
brinquedos, lápis bonito, borracha colorida e dinheiro para pagar lanche de
todos aqueles que eu queria ao meu lado.
Tornei-me um adolescente feio,
magricela e tímido. Continuei comprando meus amigos e tentava fugir da minha
vida tormentosamente normal sonhando. Nesses sonhos eu era sempre o centro das
atenções e das admirações. Num sonho eu era um jogador de futebol fora de
série, um craque que desmontava a defesa adversária como quem desmancha um
castelo de areia. Em outro eu era um lutador faixa preta em uma arte marcial
qualquer que namorava a garota mais cobiçada e que se metia em brigas contra
brutamontes covardes que humilhavam os mais fracos. Sonhos...
Aos 19 anos entrei na faculdade
de engenharia civil. Passei a sonhar construindo lindos e quase infinitos arranha-céus,
projetando lindas cidades que me renderiam reconhecimento e prêmios. Aos 20
anos aconteceram duas coisas que, definitivamente, não mudariam a minha vida
deixando-a do mesmo jeito que sempre fora, ou seja, escandalosamente
normal.
O primeiro acontecimento foi eu
ter arranjado um emprego num banco. Desde o início tinha a convicção que esse
emprego seria útil enquanto fosse estudante, para ajudar nas despesas. Em hipótese
alguma queria seguir a carreira de bancário. Eu queria construir arranha-céus!
A rotina era dura: acordava às seis e meia, as oito estava no banco, onde
ficava até às cinco da tarde com uma hora de almoço. Saía do banco e ia direto
para a faculdade, chegando em casa onze da noite. Mas valeria o sacrifício! O
tempo foi passando, terminei a faculdade e sempre ali, naquela rotina.
- Quero trocar esse cheque.
- Sim, senhor!
- Transfere essa quantia da
poupança para a conta corrente.
- Sim, senhor!
- Paga esse boleto pra mim, por
favor.
- Sim, senhor!
Era sempre aquela mesmice. Nos meus devaneios
imaginava um bando de assaltantes invadindo o banco com armas em punho e
fazendo todos reféns. Entre os reféns, além de mim, claro, estava aquela gostosinha
que sempre vinha ao banco. Cercados pela polícia, os meliantes ameaçariam a
mocinha e eu, o herói, interviria, não deixando os fora-da-lei maltratarem-na.
Seria agredido por eles, mas sobreviveria para receber a gratidão da gostosinha
sem nome. Mas nada disso acontecia e eu seguia a minha rotina de cheques,
boletos, transferências. Como resultado, trabalhei 35 anos no banco me
aposentei e não construí uma caixa-d’água sequer. Uma mísera escada sem
corrimão! Que dirá um arranha-céu. Meu diploma virou comida de traça. Os
cálculos matemáticos, longínqua lembrança.
O outro acontecimento foi ter
conhecido minha esposa. Eu era virgem. Pior: nunca tinha sequer beijado uma
mulher. Maria da Graça é dois anos mais nova que eu e é o ser mais ser graça
que já conheci. O seu nome só pode ter sido uma piada, pois é uma criatura
inconspícua.
- A pior coisa do mundo é ir a um
restaurante com muita fome. Qualquer comida insossa fica gostosa. – raciocinava
frequentemente.
Tudo bem que não sou nem um galã
de novela das oito. Mas se não tivesse sob pressão hormonal teria tido
paciência para esperar surgir algo mais atrativo. Paciência, estamos casados há
quarenta anos. O que de mais emocionante aconteceu na nossa vida conjugal foi a
ida semanal à igreja. Nosso programa dominical era tão empolgante que bastava o
padre começar a liturgia, eu cochilava. Nem Deus continha meu tédio. Durante
esse tempo imaginei casos extraconjugais, verdadeiros romances hollywoodianos
com mulheres belíssimas. Mas a minha insipidez, a minha covardia, a minha
timidez não permitiram nem que eu olhasse para uma mulher que não fosse a minha
Maria sem graça.
Tivemos uma filha, Luíza. Não sei
a quem puxou, mas não supera por pouco a sem graceira da mãe. Desde quando
Luíza nasceu, torci para ela ser a adolescente que não fui. Fazer tudo aquilo
que tive vontade, mas faltou coragem: beber, fumar maconha, dançar com os
amigos, sair escondida com meu carro, participar de movimentos políticos,
namorar. Claro que nem sob tortura eu confessaria esses meus sonhos nem para
ela nem para a mãe dela. Mas a criatura somente a muito custo solta um tímido
sorriso, só sai de casa para ir para a igreja com a mãe, não fala nem o
necessário. Espero que consiga arrumar um hormônioman
como a mãe dela arrumou...
Agora eis-me aqui, esperando a
morte. Que eu espero que seja mais emocionante do que a vida. Quero morrer de
acidente de avião, de naufrágio de navio, de uma explosão, atacado por um
jacaré no Pantanal ou por uma onça na floresta Amazônica. Algo emocionante, digno de ser contado pelos
meus netos, se é que a sem graça da Luíza vai me dá algum.
Só falta eu morrer de um mal
súbito durante o sono. A pior das mortes! E ainda vir uma daquelas beatas
amigas da Graça, uma daquelas papa-defuntos na beira do caixão e dizer:
- Pobrezinho, parece que tá
dormindo.
Juro que me levanto e grito na
fuça da desgraçada:
- Dormindo tá a puta que te
pariu!
Já que morri em vida, quero pelo
menos viver na morte.
sexta-feira, 1 de fevereiro de 2013
Biblioteca José Mindlin
Semana passada, assisti no Canal
Brasil um documentário sobre a biblioteca do José Mindlin. Confesso que senti
aquela pontinha de inveja, mas uma inveja benéfica, bonita, de quem quer ter
uma igualzinha. É aquela inveja que se sente de quem tem a mesma paixão que a
gente, os livros. O tamanho do acervo que o bibliófilo construiu ao longo de
quase 80 anos é impreciso: varia, de acordo com a fonte, entre 35 e 40 mil
volumes de literatura brasileira e portuguesa, relatos de viagens, manuscritos
históricos, periódicos, livros científicos, iconografias e gravuras.
José Ephim Mindlin nasceu em São
Paulo em 1914, filho de imigrantes judeus ucranianos. Formou-se em direito em
1936, mas largou a profissão para fundar, em 1950, a Metal Leve, pioneira na
pesquisa e desenvolvimento tecnológico na área de autopeças, que presidiu até
1996. Casou com a restauradora de livros Guita
Mindlin, com quem ficou casado por mais de 50 anos. Comprou seu
primeiro livro aos treze anos, Discours
sur l’HistoireUniverselle, de Jacques Bossuet, de 1740. E não parou mais! Certa
vez, questionado se tinha algum livro predileto entre os que colecionou ao
longo da vida, respondeu que uma das características da bibliofilia era a
poligamia: "Não há como dizer prefiro este ou
aquele", afirmou.
Entre as
preciosidades da biblioteca de José Mindlin está a versão original de Grande sertão: veredas, de Guimarães
Rosa, as primeiras edições de obras como Os
Lusíadas, de Camões, O guarani, de
José de Alencar e A moreninha, Joaquim
Manuel de Macedo. Outra raridade é um exemplar autografado por Machado de
Assis. Em 2006, Mindlin foi eleito para a Academia Brasileira de Letras,
sucedendo Josué Montello na cadeira número 29.
No mesmo
ano, Mindlin resolveu doar todo seu acervo para a Universidade de São Paulo, formando
a Biblioteca Brasiliana Guida e José
Mindlin, podendo ser acessada pelo link http://brasiliana.usp.br/bbm_livros. “Eu e Guita (já
falecida na época) éramos os guardiães destes livros que são um bem público”, afirmou
na ocasião para justificar a doação. José Mindlin morreu em 28 de fevereiro de
2010.
quarta-feira, 30 de janeiro de 2013
Manual da paixão solitária – Moacyr Scliar
Atire a primeira pedra quem nunca
praticou o prazer solitário, o famoso cinco contra um. Esse é o tema de Manual da paixão solitária (2008), de Moacyr Scliar, onde o escritor
gaúcho romanceia o capítulo 38 do Gênesis, do Antigo Testamento, em que o
patriarca Judá tenta da continuidade à sua linhagem. Scliar retoma a fonte de outros dois livros
seus: A mulher que escreveu a Bíblia
(1999) e Os vendilhões do templo (2006).
E faz isso, mais uma vez, com a genialidade que lhe foi peculiar. Salientando que Scliar não adulterou nada.
Como os narradores bíblicos não muito sucintos, muitas das informações
descritas carecem de detalhes, o autor criou diálogos, descrições de passagens
e personalidades, além de investigar as emoções dos personagens e o que os
motivou a tomar decisões.
Num congresso de estudos
bíblicos, o professor Haroldo Veiga de Assis e sua ex aluna e desafeta, Diana
Medeiros, contam as história de Shelá e Tamar sob pontos de vistas distintos. A
história de Shelá, filho de Judá, é contada pelo professor. Apaixonado por
Tamar, Shelá ver seu irmão mais velho casar coma a amada. Ao morrer sem
engravidá-la, Er passa essa obrigação para seu irmão, Onan, que pratica com a
esposa o coito interrompido, não engravidando-a, sendo castigado por Deus com a
morte. Com a morte do irmão, caberia a Shelá desposar a cunhada, por quem é
apaixonado, mas seu pai, temendo perder o terceiro filho para Tamar, não
autoriza o casamento. Privada de filhos e de marido, Tamar irá recorrer a um
ardil que se tornará lendário.
Quem dá voz a bela e hipnotizante
Tamar é a professora Diana, que busca desvendar os mistérios e as razões por
trás dos fatos que definem os destinos da própria Tamar e de Shelá.
Estigmatizada pela comunidade em que vivia, Tamar explica por que o seu
casamento com Er não deu certo, por que nunca engravidou de Onan, declara seu
desapontamento em não poder casar com Shelá e como preparou o ardil contra o
patriarca. Uma bela história, um belo livro, como todos de Scliar...
segunda-feira, 28 de janeiro de 2013
O nariz dela se franzia um pouco no riso* – Crônica de Rubem Braga
Então a moça caiu e ralou o joelho esquerdo; estava
com as pernas nuas. Ele a ergueu, fê-la sentar-se em um banco, tirou o lenço
limpo, foi embebê-lo na água da pequena bica e limpou o ferimento. Sentiu
prazer em fazer isso. No joelho moreno havia a mancha vermelha. O sangue não
fluía, mas estava ali, sob a pele rarefeita, e porejava sutilmente. Foi
novamente embeber o lenço, mas não o passou sobre o ferimento, apenas o premiu
de leve e o retirou. Estava com uma pequena mancha de sangue, tão leve que era
apenas rosada.
Ficou um instante a olhar o joelho, e pensando como
são diferentes os joelhos das mulheres. Há homens que não são atentos aos
joelhos, nem reparam como eles mudam de personalidade quando a perna se estende
ou se dobra, ou melhor, como a personalidade de cada um depende de sua mudança
nesse jogo.
Aquele não era agudo nem largo, nem muito alto, era
um joelho suave, mas com algo de poderoso, mais do que faria prever a
delicadeza daquela moça. Ficaria estranho se demorasse mais o olhar, a moça
pensaria que ele estava olhando a coxa --ela erguera um pouco a saia branca.
Depois passaram por uma farmácia, e ele insistiu em que ela passasse um pouco
de mercurocromo, mas isso foi o rapaz da farmácia que fez. Perguntou quanto
era, o rapaz disse que não era nada; saíram.
Andando, ele não podia ver o joelho da moça;
levou-a para o terraço de um bar; não sentou a seu lado, mas defronte,
afastando um pouco a cadeira, e só quando vieram os dois copos de suco de
laranja e ele se curvou para beber é que olhou o joelho. Ela cruzara as pernas,
e o joelho ferido, com aquela mancha viva do mercurocromo, parecia mais alto,
quase sensacional, sobre o outro.
Começou a conversar alguma coisa -- não quisera
açúcar, e o suco de laranja estava ácido, e isso lhe fazia bem à boca entediada
do gosto do cigarro -- e assim, olhando-a nos olhos, procurava se livrar
daquela vontade de olhar o joelho, de segurá-lo com a mão -- primeiro pela
frente, na rótula, nas duas depressões que dão a todo joelho um vago ar bovino
-- mesmo porque o joelho é manso e trabalhador como um boi -- depois dos lados,
onde há, de cada lado como que um cabo, de osso ou cartilagem, tenso, ao mesmo
tempo duro e elástico, fugindo sob a pele quando se tenta prendê-lo com a mão
-- depois atrás, onde a pele é mais alva e fina, onde há um calor de segredo,
como no pescoço de um cavalo, o calor do sangue passando, o inocente calor
animal.
A moça contara alguma coisa e ela mesma ria, e ele
ficou um instante imaginando -- o nariz dela se franzia um pouco no riso, e os
olhos verdes, apertados, brilhavam, e os dentes eram pequenos e muito brancos na
boca rubra -- imaginando que ela o acharia meio louco e talvez engraçado se ele
dissesse o que estava pensando, uma coisa assim: "Eu tenho uma grande
amizade pelo seu joelho esquerdo".
*Crônica publica em julho de 1952
na Folha da Tarde. Segundo o biógrafo
do cronista, Marco Antônio de carvalho, a “dona” do joelho era a atriz Tônia
Carrero.
sexta-feira, 25 de janeiro de 2013
À beira-mar – uma crônica de Sérgio Porto
Por que será que tem gente que vive se metendo com o que os outros
estão fazendo? Pode haver coisa mais ingênua do que um menininho
brincando com areia, na beira da praia? Não pode, né? Pois estávamos nós
deitados a doirar a pele para endoidar mulher, sob o sol de Copacabana, em decúbito ventral (não o sol, mas nós) a ler “Maravilhas
da Biologia”, do coleguinha cientista Benedict Knox Ston, quando um camarada se
meteu com uma criança, que brincava com a areia.
Interrompemos a leitura para ouvir a conversa. O
menininho já estava com um balde desses de matéria plástica cheio de areia,
quando o sujeito intrometido chegou e perguntou o que é que o menininho ia
fazer com aquela areia. O menininho fungou, o que é muito natural, pois todo menininho que vai na praia
funga, e explicou pro cara que ia jogar a
areia num casal que estava numa barraca lá adiante. E apontou para a barraca.
Nós olhamos, assim como olhou o cara que
perguntava ao menininho. Lá, na barraca distante, a gente só conseguia ver dois
pares de pernas ao sol. O resto estava escondido pela sombra, por trás da
barraca. Eram dois pares, dizíamos, um de pernas femininas, o que se notava
pela graça da linha, e outro masculino, o que se notava pela abundante
vegetação capilar, se
nos permitem o termo.
— Eu vou jogar a areia naquele casal por causa de que eles
estão se abraçando e se beijando muito — explicou o menininho, dando outra
fungada.
O intrometido sorriu complacente e veio com lição de moral.
— Não faça isso, meu filho — disse ele (e depois viemos a
saber que o menino era seu vizinho de apartamento). Passou a mão pela cabeça do
garotinho e prosseguiu: — Deixe o casal em paz. Você ainda é pequeno e não
entende dessas coisas, mas é muito feio ir jogar areia em cima dos outros.
O menininho olhou pro cara muito espantado e ainda insistiu:
— Deixa eu jogar neles.
O camarada fez menção de lhe tirar o balde da mão e foi mais
incisivo:
— Não senhor. Deixe o casal namorar em paz. Não vai jogar
areia não.
O menininho então deixou que ele esvaziasse o balde e disse:
— Tá certo. Eu só ia jogar areia neles por causa do senhor.
— Por minha causa? — estranhou o chato. — Mas que casal é aquele?
— O homem eu não sei — respondeu o menininho. — Mas a mulher é a
sua.
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