segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Música de natal

Hoje é segunda feira, as festividades natalinas de 2011 já fazem parte do passado, ainda falta o ano novo, mas uma etapa já foi vencida. Não morro de amores pelas festividades natalinas. Nessa época, o ar fica impregnado de melancolia. Mas não Só por isso. Nessa época tudo fica difícil. O trânsito é lento, as lojas ficam apinhadas de gente, os bancos a mesma coisa, confraternizações intermináveis, tapinhas nas costas, feliz natal pra lá e pra cá, sem contar que o país praticamente para. Resolver algo, só depois do natal. Passou o natal? Então só depois do ano novo.

Pior do que tudo isso são as músicas de natal. Todos os anos, alguns cantores resolvem “brindar” nossos ouvidos com músicas que exaltam, em suas letras, sentimentos nobres, como a fraternidade e a união. O problema é a repetição ao longo dos anos. É de tirar a paciência! Justin Bieber lançou o seu disco de natal. Segundo o seu empresário, era para ser somente um jingle, mas o projeto ganhou força e se tornou um disco com onze faixas, para o nosso azar. Até a Lady Gaga, com as suas esquisitices, resolveu lançar um disco com quatro faixas e letras introspectivas. O que não faz o espírito natalino. O cantor canadense Michael Bublé e a Mariah Carey também resolveram dá a sua contribuição ao espírito de natal.

Mas o que está ruim pode ficar pior. Nos últimos dezesseis anos, infalivelmente, somos brindados com o repertório de 25 de dezembro, de Simone, lançado em 1995, que virou um clássico de natal, infelizmente. Quem não ouviu ainda Então é natal, a versão da canção-protesto de John Lennon e Yoko Ono, transformada em hit de natal? A má notícia (outra) é que não há perspectiva de não ouvi-la nos próximos natais, já que foram vendidas 1,2 milhão de cópias do disco desde seu lançamento. Nem o saco de Papai Noel é suficientemente grande...

sábado, 24 de dezembro de 2011

Meu amor Diana ou: Um conto de natal

Na vida tem amores que vem e nunca vão embora. Cola no nosso coração. Acredito que quase todo mundo tem o amor assim. E no período natalino essas lembranças vêm com mais força. Eu devia ter dezessete anos quando conheci Diana. Morava no sítio com a minha família, no interior. Éramos eu e dois irmãos, além do meu pai e da minha mãe. Você sabe como é a vida no mato. Acordar cedo para a lida de sol a sol. À noite, extenuado, dormir cedo.

Conheci Diana quando consertava a porteira do sítio com o meu pai. Ela passou com o seu Ademar. Fiquei embasbacado.

- Que linda – pensei cá comigo.

Passei o resto do dia pensando em Diana. Ela não me saía da cabeça. Mesmo depois de quase duas décadas, um casamento e três filhos, Diana não me sai da cabeça. Sei que nunca poderíamos assumir o nosso amor nem ter filhos. Mas não consigo esquecê-la.

Não vou contar em detalhes como aconteceu a nossa aproximação. Mas o fato é que houve uma aproximação. Diana correspondia! Fazia malabarismo para vê-la. Toda a família dormia cedo. Eu esperava todos dormirem, pulava a janela com toda a cautela e ganhava o mundo. A nossa cadela, Soraia, nas primeiras vezes fazia um barulho danado, podendo acordar todos, mas depois se acostumou com as minhas escapadelas. Considerava-a minha cúmplice.

O próximo obstáculo era a porteira. Como fazia muito barulho ao ser aberta, tinha que pulá-la. E me embrenhava no mato. Do sítio do meu pai até o sítio do seu Ademar eram uns dois mil metros serpenteando as estreitas veredas. No início me arranhava nos gravetos, mas depois conseguia fazer o percurso de olhos fechados. Guiado apenas pelo coração.

- Tudo isso vale a pena – pensava eu no trajeto, no meio da escuridão.

E valia mesmo! Lá estava ela, embaixo de um juazeiro no terreiro do sítio. Linda! Apesar de escuro, enxergávamos o olhar um do outro. Acho que enxergávamos com o coração.

- Minha Diana! – ás vezes, durante o dia, deixava escapar com um suspiro.

Minha mãe andava preocupada comigo por causa das olheiras.

- Esse menino tá doente. Olha a cor dos ói dele – dizia a pobre para o meu velho pai.

- Coitados! – pensava eu. – Não sabem o que é amar.

As olheiras era o que ela conseguia enxergar. O que ela não conseguia ver me denunciaria: passava o dia com o pênis intumescido. De tão duro chegava a doer. Eu tentava disfarçar. Mas mais de uma vez meus irmãos perceberam e fui alvo da troça deles. Outras vezes, quando tinha oportunidade, celebrava uma ode a Onã.

Naturalmente que eu não podia tornar público o nosso amor. Iria nos expor ao ridículo. Eu e Diana. Então, dia sim, dia não, fazia o mesmo percurso até o sítio do seu Ademar. Todo sacrifício era recompensado.

Mas, como em todo relacionamento, nem tudo eram flores. Porém, nada que inviabilizasse a relação.

- Diana nunca expressa seus desejos, seja lá de que forma for. - vi-me mais de uma vez pensando.

Mas o que fazíamos quando estávamos juntos compensava esses pequenos contratempos. Era indescritível a sensação de está dentro de Diana, sentindo o calor do seu sexo. Mesmo tendo que sentir sem fazer barulho para não acordar a família do seu Ademar, a sensação era maravilhosa.

Escrevia declarações de amor para Diana, sempre às escondidas, claro. É certo que ela nunca me respondeu. Mas eu não me importava. Não tenho mais nenhum dos poeminhas que escrevi para ela nos dias em não nos encontrávamos. Minha mulher não entenderia.

Mais de uma vez, fui pego pelo meu pai devaneando na mesa do jantar.

- Que frescura é essa, moleque? Vai comer e depois deitar. Parece que tá variando.

Nada disso fazia arrefecer o meu amor por Diana. Era um amor sublime, puro, eu diria eterno. Mesmo nos momentos do sexo, nosso amor não perdia a pureza. Cheguei a fazer muitos planos para o nosso futuro, mesmo sabendo que não seríamos compreendidos.

- Ô Diana! Por onde andas minha deusa? – vez por outra me pego perguntando.

É no natal que sinto mais a sua falta. Passamos um natal juntos. Só um! Não trocamos presente, não tínhamos dinheiro para isso. Mas levei-lhe flores. Que ela comeu!

- Ah Diana! Você sempre foi muito espontânea.

Nesse dia, nos demos um ao outro da melhor forma possível. Foi meu melhor presente de natal. E não foi Papai Noel quem me deu. Foi Diana!

Hoje estou aqui. É natal! E as lembranças de Diana me torturam.

Você deve está se perguntando: como um amor tão sublime, que tinha tudo para dá certo, acabou? Por que você e Diana se separaram?

Deixo bem claro que o meu amor por Diana não acabou. Percebo que nessa época fica mais forte. Fomos arrastados pelas circunstâncias.

Seu Ademar comprou um caminhãozinho de segunda mão e chegou à conclusão que Diana não era mais útil para ele. Vendeu-a junto com a carroça.

sexta-feira, 23 de dezembro de 2011

É natal!

Para as crianças, o natal é a melhor coisa do mundo, pois é época de ganhar presentes. Para os mais tradicionais, é época de confraternização, tapinhas nas costas, feliz natal pra cá e próspero ano novo pra lá, presente pra um, lembrançinha pra outro. Para todos é época de trânsito lento, quase parado, lojas lotadas, aeroportos idem e muita gente para onde quer que vá. Para os cristãos é época de celebrar o nascimento de Cristo.

O natal, apesar de ser a maior festa cristã, nasce como uma festa pagã, no século IV. Na Roma Antiga, dividida entre cristãos e pagãos, o 25 de dezembro era dedicado ao deus da colheita Saturno (as Saturnais) e marcava o início do verão. Inclusive a tradição dos presentes vem da festa pagã. Para se contrapor a essa festa, os cristão colocaram o nascimento de Cristo na mesma data.

Apesar de ter “sobrevivido” como o Messias do mundo cristão, Jesus não era o único pretenso profeta na sua época. Como os judeus estavam sob dominação romana depois de 89 de independência, o clima era de inconformismo, propiciando o surgimento de pessoas que prometiam qualquer coisa, inclusive o fim do mundo. Eis alguns deles:

Apolônio de Tiana – muito mais popular do que Jesus, nasceu por volta do ano 2 a.C. tinha fama de ressuscitar os mortos. Fundou uma escola em Éfeso. Morreu em 98 e seus seguidores continuaram ativos por pelo menos 150 anos.

Simão, o Mago – citado na Bíblia de forma pouco lisonjeira, indica que era um concorrente dos cristãos. Afirmava que existiam duas encarnações de Deus na terra: ele e Helena, uma prostituta com quem se casou. Seus seguidores só desapareceram no século IV.

Honi – Era considerado por alguns rabinos o filho de Deus enviado a terra. Vivia isolado e comia pouco. Como Jesus, atribuía seus milagres à fé de quem os pedia.

João Batista – era dois anos mais velho do que Jesus e mais popular do que ele. Batizou Jesus. Seus seguidores mantiveram uma religião por 3 séculos. Os discípulos de Jesus incorporaram a forma como João praticava o batismo.

Jesus de Ananias – Jesus era um nome comum na Palestina. Esse Jesus foi preso, mas absolvido. Foi considerado louco.

Banus – pregava o apocalipse e que era preciso abandonar o apego aos prazeres mundanos. Seus seguidores se dispersaram depois da sua morte.

Eleazar – era um conhecido exorcista na época. Seus diálogos com os demônios lembram as frases de Jesus.

Hanina Ben Dosa – Tinha fama de fazer chover, de curar doentes e de fazer renascer árvores e animais. Há referencias a ele no Evangelho de Lucas. Viveu e morreu na miséria.

Menahem, o essênio – respeitado pela sua capacidade de fazer profecias, foi acusado de conspirar contra os romanos. Foi julgado e crucificado. Para o historiador Israel Knohl, Jesus conhecia a sua história e queria para si um destino parecido.

Jesus era o menos conhecido desses pretensos profetas. Segundo historiadores, se na época existisse mídia, a morte de Jesus não teria saído nem como nota de rodapé. Mas se Jesus era tão pouco conhecido, como se tornou o Messias dos cristãos. Os mais devotos com certeza irão responder: “Por que era o verdadeiro!”. Não. Jesus se tornou o Messias por outras razões.

A primeira delas é que Jesus manteve a prática de João Batista de aceitar não judeus como seus seguidores (algo que outros pregadores não aceitavam). Isso diminuiu o impacto da sua pregação, mas se mostrou fundamental depois da expulsão dos judeus de Jerusalém. A segunda era que a pregação de Jesus era mais suave do que a dos outros. Se fosse apocalíptico, militarista ou judaizante radical seria mais popular em vida. No entanto, depois de morto, suas idéias foram mais aceitas. A terceira razão foi o papel de Paulo, que levou os ensinamentos de Jesus para fora da Palestina. Sem ele, o cristianismo ficaria restrito ao Oriente Médio. Por último, em 313, o imperador Constantino deu liberdade de culto aos cristãos, pondo fim às perseguições, favorecendo o crescimento da religião.

Portanto, escolha o seu profeta e tenha um feliz natal.

quinta-feira, 22 de dezembro de 2011

Admirável mundo novo

Nascido em 1894, o escritor inglês Aldous Huxley viveu grande parte dos anos 20 na Itália fascista de Mussolini. Acredita-se venha daí a inspiração para os sistemas autoritários retratados em suas obras. Notadamente em sua obra-prima, Admirável mundo novo, escrito durante quatro meses no ano de 1931. Os temas nela abordados remontam grande parte de suas preocupações ideológicas, como a liberdade individual em detrimento ao autoritarismo do Estado. Ao longo da vida, Huxley escreveu 47 livros. Algumas correntes de críticos o consideram o precursor do “romance cerebral”. Outras correntes o consideram mais um ensaísta do que um romancista, uma vez que as suas obras eram mais apoiadas sobre as suas idéias do que o desenrolar de personagens ou contextos de histórias.

Em Admirável mundo novo, a história de passa no ano 634 d. F. (depois de Ford) e narra um futuro sem família, democracia, Cristianismo e arte. Nele, as pessoas são pré condicionadas biológica e psicologicamente e a sociedade é dividida em castas. Não existe individualidade, cada um pertence a todos é o lema. Como todos são nascidos de proveta, não existe pai e mãe. Toda emoção intensa e prolongada é proibida pelo governante, portanto não existe a figura do casamento e os relacionamentos são efêmeros. Todos os problemas são resolvidos pela soma, droga distribuída pelo governo, usada para aliviar depressão, frustração e dúvidas. O Estado supre todas as necessidades, todos são felizes e essa felicidade mantém as engrenagens em funcionamento regular. O segredo da felicidade é amar o que se é obrigado a fazer.

Bernard Marx é um personagem insatisfeito com o mundo em que nasceu e vive, em parte por que é fisicamente diferente dos integrantes da sua casta. Para os governantes, Marx possui idéias heréticas sobre o esporte e o soma, pela irregularidade de sua vida sexual e por recusar-se a obedecer aos ensinamentos de Ford. Numa viagem a um dos últimos redutos da antiga civilização, conhece John, filho de Linda, oriunda da civilização. A partir daí, o foco do romance deixa de ser a insatisfação de Marx e passa a ser os questionamentos de John, que não consegue assimilar os valores da nova civilização. Admirável mundo novo é um clássico sobre o controle, o futuro e a liberdade. Aldous Huxley não garantia que o futuro seria da forma retratada no livro, mas o desenvolvimento da tecnologia e o excesso de liberação encaminham nossa sociedade em uma linha próxima à descrita pelo autor.

quarta-feira, 21 de dezembro de 2011

O funeral

Não vou dizer que é desconfortável. Mas também não é confortável. Doem um pouco as costas. Não sei com vim parar aqui, mas sei que fiz por onde. Nunca fui adepto da vida saudável. Sempre fui um defensor de se fazer a relação custo benefício. Mais vale viver sessenta bem vividos do que oitenta pela metade, que é igual a quarenta. Portanto, bebi, fumei e fodi como se já tivesse no sexagésimo ano. Agora estou aqui.

Lá vem o Moreira. Esse filho da puta passou a vida dando em cima da Sandra. E se diz meu amigo! Aposto que não vai esperar o defunto esfriar. Sei que a Sandra nunca foi um poço de virtude, afinal sempre foi muito amável. A virtude é neurastênica e azeda! Se ela fosse santa eu não teria ficado tanto tempo com ela. Nem ela comigo! Mas tudo bem. A morte torna o homem imune ao chifre.

Conheço o Moreira a mais de vinte anos. Sempre deu em cima de todas as mulheres com quem namorei ou casei. Enfeitar-me com cornos foi a sua obsessão.

- Cachorro!!! – Nada me impede de um desabafozinho.

- Olha a Selminha!!

Acho que o amor mais puro, mais verdadeiro, é aquele que um homem sente pela cunhada impossível. Só o conhece quem a possui. Não foi esse o meu caso. A Selminha sabia que eu a cobiçava. Vestia roupas provocantes. Lançava-me olhares lânguidos. Deu pra muita gente, menos pra mim, que sou da família. Talvez por causa disso. Ela entra na câmara ardente como pisa na passarela. Sabe que é gostosa! Mas está com o semblante compungido. Será que ela está realmente triste ou está só simulando mais uma vez como fez comigo a vida toda?

Essa roupa tá apertando o meu saco. O defunto era menor... Sem trocadilhos.

- Olha quem vem entrando...

Seu semblante não demonstra nem tristeza nem alegria. Só indiferença. Ela sempre foi assim. Nunca demonstrou o que sentia. Dulce. Doce. Apesar da cara fechada. O que nos faz não ficar ao lado do seu grande amor? É o que me perguntei durante os vinte anos após ter me separado da doce Dulce. Uma mulher de aparência firme, mas sensível na essência. Foi o meu grande amor! Um amor diferente do que senti pela cunhada impossível. Esse, um amor carnal. Aquele, um amor de alma. Como sou (ou era) um ser carnal e a cunhada era impossível, fiquei com a Sandra.

- Pintou sujeira!

O Salomão. Esse cara é muito chato! Ele sabe tudo. Não dou cinco minutos, ele vai começar a dissertar sobre o processo de embalsamamento. Se não for sobre isso, será sobre qualquer outra coisa. É um analfabeto e não se dá conta disso.

Será que não tinham um caixão mais espaçoso?

Aqui tem choro para todos os gostos. Tem gente que nunca vi e está se debulhando em lágrimas. Tem outros de quem não gostava que estão inconsoláveis. Será que os julguei mal? Têm outros tantos que sabidamente não gostavam de mim e vem reverenciar o defunto. A morte beatifica os desafetos. Pelo menos em público.

Tem também reza para todos os credos. Nunca me liguei nisso. Sempre fui indiferente ao metafísico. Não sou agnóstico. Mesmo por que o agnóstico é um ateu cagão. Eu sempre fui simplesmente indiferente.

A sala está cheia. Algumas senhoras choram como carpideiras. Esse cheiro de flores me causa enjôos. Mas não posso sair como fazia nos velórios alheios.

- Puta que pariu, chegou o pastor.

Os pastores são todos feitos da mesma fôrma. Terninho cheirando a naftalina, Bíblia com bordas douradas debaixo do braço, a mesma entonação na voz e o mesmo discurso. Ele tá falando bem de mim. Cretino! Vivia dizendo que eu era o emissário do capeta. Será que ele tá querendo convencer Deus de que eu prestava? Por que quem tá aqui e me conhece sabe que eu não era o que ele tá dizendo. É a complacência post mortem.

- Lá vem o Pururuca!

Bêbado como um gambá, Pururuca entra na Câmara ardente tropeçando em quem estava pela frente e chorando escandalosamente. Era o bêbado oficial da vizinhança. Ninguém conseguia ter raiva de pururuca. Era um bêbado inofensivo. Pelo era.

- Sai daqui, Filho da puta!

Pururuca mete a mão na minha testa e, aos prantos, quer me beijar. Porra, pururuca! Por que tu não se atreveu a fazer isso quando eu estava vivo? Ia levar uma bofetadas pra aprender a ser homem. Pobre Pururuca.

Acho que está na hora. Escurinho aqui.

- Ops – tem alguma coisa se mexendo.

- Olha quem me carrega!

O Amaral, o Tartaruga, o volta e meia e o Samuca. Grandes companheiros! Mas acho que estão meio de porre, pra variar. A coisa tá balançando. E a ladainha não para. Se eu dependesse disso pra ir pra algum lugar já estaria lá.

Tá nublado. Dia perfeito pra um enterro. Pra o meu, inclusive.

- Ops! de novo. Estou descendo. Barulho. Estão jogando algo em cima de mim. Acho que é terra.

Silêncio.